Troféu Reggae Favela

 

TROFÉU REGGAE FAVELA:

 O Troféu Reggae Favela não tem periodicidade definida.

O Troféu Reggae Favela é uma estatueta de 24cm de altura e 7cm de base e diâmetro, que retrata simbolicamente a luta cotidiana na periferia das grandes cidades. Desenhada e construída em argilapelo artista plástico Sergio Miguel .

O Troféu surgiu através de algumas observações que foram feitas , quando me deparava com gestos e atitudes de cidadãos preocupados com o bem estar social e/ou cultural, e se tornavam voluntários para a provocação de uma condição de vida melhor na sociedade.

Essas atitudes me despertaram, e veio a primeira reflexão; “Isso merecia um troféu”.

Daí surgiu a primeira indagação; “Quem daria um troféu para essa atitude?”

Esse tipo de trabalho voluntário com pouco alcance, que às vezes não passa de uma iniciativa, realmente merece ser reconhecido, ou é uma mera obrigação do cidadão de trabalhar em prol da sua comunidade?

As pessoas comem, dormem, movem,calam, gritam, sentem fome, se divertem, choram, trabalham, e têm suas necessidades, que podem ser pequenas ou grandes dentro dos parâmetros pessoais. A sociedade é constituída por essas pessoas e parte dessa sociedade vive dentro de parâmetros sociais absurdamente diferentes. Daí, a divisão de classes. A cidade é constituída por essas classes. A soma, o respeito, e o compartilhamento é que se torna uma cidade viva e com bom desenvolvimento social. Partindo daí, é importante ter harmonia entre os deveres e os direitos, mas sempre ter o cidadão como início, meio e fim.

 

 

 

 

 

 

 

 

A cidade se transforma para o bem ou para o mal, quando dentro dela há agentes transformadores.

Porque não valorizar reconhecendo as pessoas que trabalham voluntariamente para a construção e desenvolvimento social? Mesmo que sejam considerados como deveres. Lembro da minha infância; quando chegava em casa da escola com um questionário enorme para ser respondido e devolvido no dia seguinte. Era o meu Dever de casa. Na escola a professora tinha o Poder de me dar nota boa ou nota ruim. Quando eu era bem notado ficava feliz com o meu Dever cumprido. Quando ganhava um beijo de carinho da professora eu sentia que o meu Dever estava mais que cumprido e ficava ainda mais feliz. O TROFÉU REGGAE FAVELA É UM BEIJO.

 

 

Trabalhos voluntários por menores que sejam, significam muito e se tornam grandiosos em um cenário totalmente capitalista.

MÍDIA:

Eu não tenho nenhuma pretensão de me promover com a entrega desse Troféu, mesmo porque, o que gera a minha carreira artística é a música, e não o Troféu. Durante a cerimônia eu não uso o momento para anunciar nenhum show ou coisa parecida. O foco é o homenageado.

Eu procuro a mídia é para anunciar o evento, dar cobertura ao evento, porque vejo nisso uma forma de valorizar ainda mais os trabalhos ou iniciativas que são geradas na periferia, ou da periferia, ou para a periferia. Considero que a periferia é o centro das verdades e é ela e seus moradores que de fato merecem os melhores e maiores espaços na mídia.

Entendo também que a imprensa e toda a grande mídia, tem uma dívida com esse povo, devido ser da “periferia” o maior número de notícias ruins manchetadas nos jornais e noticiários eletrônicos. É o momento de valorizar o que se faz de bom dentro desses centros comunitários e sociais.

 

 

 

 

 

CONVIDADOS PARA ENTREGA:

O corpo de convidados escolhido para entregar o Troféu Reggae Favela ao homenageado é formado em sua maioria, por amigos artistas que compartilham essas idéias. Também é formado por agentes culturais da cidade-sede e autoridades municipais. A intenção é de fazer notório os méritos dos homenageados.

SÉRGIO MIGUEL:

Sérgio Miguel é o artista que desenhou e confeccionou o troféu.

Em todas as edições anteriores ele teve o mesmo trabalho. Ele também é um voluntário nesse evento, faz o trabalho com muito amor e se alimenta de uma esperança de transformação ao respeito do ser humano. É um artista de origem pernambucana que bebeu na fonte do Mestre Vitalino. É uma pessoa simples, comum (da periferia) .

Dos cinco artistas que conversei e passei a idéia do Troféu, foi o único que aceitou de pronto. Não mediu esforços e em pouco tempo tinha um exemplar do troféu construído e aprovado. Fiquei emocionado quando vi a idéia ali materializada com beleza estética, e com as doses exatas de carinho e amor.

Diz a lenda: Quem tem uma peça do Sérgio Miguel em casa se sente mais leve e sereno e encara os percalços da vida com mais paciência.

EXPERIÊNCIAS ANTERIORES:

São os resultados das experiências anteriores que geraram mais uma edição do Troféu Reggae favela.

O pós-entrega do Troféu é marcante. O que provoca o Troféu também é marcante. Sou testemunha de quanto é importante esse reconhecimento. Fico muito lisonjeado quando o homenageado aceita essa comenda, e a guarda como um grande presente, e fico comovido quando percebo que o Troféu representa um coroamento.

Nas minhas visitas pós-entrega dos Troféus, pude perceber de perto a eficácia nos fortalecimentos da auto-estima e nos fatores motivacionais que criam melhorias na qualidade dos trabalhos futuros. Em alguns casos os homenageados viraram agentes multiplicadores dos trabalhos voluntários.

CRITÉRIOS DE ESCOLHA / CURADORIA:

O primeiro e único critério que elimina o gesto de reconhecimento é o político partidário. Entendo que se a pessoa trabalha para um grupo político partidário já é de alguma forma financiado e ou remunerado para tal. Não que esse trabalho não mereça elogios, mas ele já tem quem o elogia e também garantia para um cargo público patrocinado pelo povo.

Nas minhas andanças pelos cantos da cidade, eu observo muito os lugares e as pessoas, e comento sempre com gente que conheço sobre o Troféu Reggae Favela, as pessoas me ligam e me procuram para indicações ao Troféu. Eu saio de casa e vou ao local e verifico e avalio juntamente com a pessoa que indicou. A partir daí essas pessoas que indicam, se tornam parte da curadoria do Troféu Reggae Favela.

CERIMÔNIA:

A cerimônia de entrega do Troféu Reggae Favela, não foge muito dos modelos convencionais. Parece praxe; Conta com a presença de um apresentador (mestre de cerimônia);Abertura com a minha fala e na sequência, uma autoridade do município sede;  Cada Troféu é entregue ao homenageado por um convidado;  Um breve release do homenageado que ressalta o seu mérito;  Palmas, etc.

É como se fosse na entrega do Oscar (cinema), a diferença é que nos prêmios de cinema, música, teatro, literatura, etc., os homenageados trabalham a vida inteira para um reconhecimento, seja por técnicos da área ou pelo público. De alguma forma mesmo que inconscientemente ele já esperava por esse momento.

Na homenagem de entrega do Troféu Reggae Favela isso praticamente não existe porque o trabalho do homenageado é voluntário (na essência da palavra), portanto não espera nenhum tipo de homenagem, posso afirmar que o máximo que ele imagina receber é um “muito obrigado”.

Resultado disso é muita emoção. Emoção que invade, enche e transborda no ambiente da entrega. A entrega à entrega é total e contagiante.

Confesso que chorei muito em todas as entregas e que nesta eu não prometo que isso não possa acontecer novamente.

São pessoas comuns, não sustentam nenhum status, são pessoas da periferia dos centros das cidades que viram focos das atenções e que mostram nesse momento o que o Brasil tem de melhor, que é o seu povo.

O homenageado retorna pra casa, as vezes no carro, mas também no ônibus coletivo, com um troféu construído em mármore com belo acabamento e com um certificado nas mãos. Imagino, quando ele chega a sua casa e escolhe um bom lugar para colocá-los. Imagino como ele acorda no dia seguinte.

Seria muita pretensão minha se no dia seguinte pela manhã, ele lesse a notícia no jornal , ou no noticiário do radio, ou na televisão.

Isso seria transformação e afirmação.

A gente vale o que presta.