CD – REGGAE FAVELA BRASIL – 2007

REGGAE FAVELA BRASIL

Para falar do CD REGGAE FAVELA BRASIL é impossível não dar uma pequena mergulhada no meu raso passado.

Este CD nasceu agora em 2007, mas na verdade ele foi fecundado em 1995, quando pensei que o que eu fazia até então não era genuinamente reggae, e eu teria que dar um nome naquela música que eu fazia. A batizei de Reggae Favela. Para mostrar o Reggae Favela em apenas um CD eu não conseguiria, planejei então fazer uma Trilogia.

Estava eu pensando em passar a idéia do Projeto Trilogia Reggae Favela e não tinha recursos naquela época para por em prática o que estava pensando; recursos técnicos, financeiros e recursos humanos.

Técnicos: Não sabia nem como começar a viabilizar o projeto, pois faltava metodologia e pouco conhecimento na área musical e de planejamento para a execução.

Financeiro: Os custos eram enormes para a minha condição.

Recursos Humanos: Conhecia alguns músicos, mas não o equivalente para por em prática o meu projeto dentro das duas condições anteriores.

Em 1998, na base do “peito e na marra” nasceu o a primeira parte da idéia que era o CD Reggae Favela.

Em 2002, veio o Reggae Favela Periferia com recursos de Lei de Incentivo.

Em 2007, enfim completei a Trilogia Reggae Favela com o CD Reggae Favela Brasil, também com recursos de Lei de Incentivo.

É importante salientar que, os Recursos Humanos também foram fundamentais para a realização deste Projeto. Depois do lançamento do primeiro CD, eu por necessidade montei uma banda (Barraco de Aluguel) para me acompanhar nos shows de divulgação.

De lá pra cá, esta banda colaborou, e muito neste trabalho. A banda desenvolveu todos os arranjos, além de me dirigir.

CD Reggae Favela Brasil:

Este CD, dentro da minha intenção é um CD temático que fala do Brasil dentro de uma óptica. Eu quis questionar este meu país, com a intenção de melhorar o nosso bem estar social, mostrando algumas mazelas e desvios de comportamento do nosso povo.

CD faixa a faixa:

  • Buneco da América; eu quis falar sobre o domínio Norte Americano sobre os países sub-desenvolvidos e em desenvolvimento. Domínio que faz o nosso povo não valorizar como devia a nossa cultura e a nossa língua e se transformar em alguns casos, de bonecos manipuláveis e “out-dors” ambulantes de logomarcas.

A música começa com a participação dispensável do Presidente Americano George W. Bush.

  • Vô com cê; esta música retrata a necessidade de uma retomada mais humanística, de respeito ao próximo e da própria crença no ser humano, que a cada dia que passa se raleia diante de um crescimento científico e tecnológico desordenado.

O ser humano está virando peça de barganha, e se deixando ser insignificante.

Nesta faixa tem a participação especial do Fauzi Beydoun, vocalista da banda de reggae Tribo de Jah.

  • Murro na ponta de faca; dentro da filosofia Reggae Favela, eu tento passar parte de minha própria experiência de vida. É um conselho.

 

  • Frutas e legumes nacionais; é uma vinheta que retrata uma realidade nas periferias e mostra parte da nossa ignorância.

 

  • Quanto vale?; a intenção é discutir a venda da nossa personalidade. Que preço ela merece, porque o mercado está aberto; há ofertas e procuras. Tem indivíduo que se vende por qualquer mixaria. Eu pergunto quanto você vale? Você vai se vender?

 

  • Songamonga; retrata uma certa descrença com a classe política brasileira; mostra parte do circo armado nas campanhas eleitorais.

Nesta faixa tem a participação dispensável do Deputado Federal Fernando Collor de Melo.

  • Ora pro nóbis; é um momento de prece em função de tanta desigualdade social e violência que tomou conta do nosso país.

 

  • Brasil/Favela; vinheta que eu apenas direciono uma pergunta. É reflexivo.

 

  • Olha lá…; é uma chamada de atenção para sérios problemas administrativos brasileiro, que gera fome, impunidade e violência.

 

  • Zumbi; diferente do que parece ser, eu tento retratar a vida no meu quintal que tem o meu cão chamado Zumbi como grande líder diante dos outros animais; Juca Correia (gato), Pirata (cão) e Jaburu (cão).

 

  • Trabalhador autônomo; com letra simples eu tento valorizar e homenagear os trabalhadores que estão na informalidade e fora das estatísticas.

 

  • Vila Nova Brasília; vinheta, foi composta para retratar o fim de uma favela.

 

  • Vila Nova Brasília; esta música é simplesmente o meu antigo endereço na extinta favela Vila Nova Brasília.

 

  • Cadê?; eu intencionalmente fecho o CD de uma maneira lúdica, onde eu questiono a posição do povo dentro do Brasil e a posição do Brasil dentro do mundo.

Nesta faixa tem a participação especial do senegalês Mamour Ba e da sua banda Conexão Tribal.

A ficha técnica do CD Reggae Favela Brasil complementa algumas informações.

Por Celso Moretti/Março de 2007